Juanito Alimaña
Willie Colón & Héctor Lavoe · 1983 · escrita por Tite Curet Alonso, do álbum Vigilante
Conheça o ladrão mais escorregadio do barrio: assalta uma loja à vista de todos, está de volta à rua no dia seguinte a uma prisão e ninguém nunca viu nada.
A história
1.A selva de concreto
A música não começa com um personagem, mas com a própria rua: uma selva de cimento, cheia de feras. Ninguém sai mais de casa despreocupado, porque o pior pode estar à espera em qualquer lugar.
2.Entra Juanito
Aí entra Juanito Alimaña, macio e astuto. Chega ao balcão de uma loja, saca uma faca e manda entregarem o caixa. Tem também uma pistola grande. Pega o dinheiro e some, rápido como o vento.
3.Ninguém viu nada
As pessoas o viram correr. Ninguém diz uma palavra. O bairro inteiro sabe o que ele faz, e ninguém o denuncia: ele é perigoso, e todos sabem disso também.
4.Solto no dia seguinte
Mesmo quando a polícia o prende, ele está de volta à rua no dia seguinte. O motivo é simples: um primo dele trabalha na polícia.
5.O mundo dele
O refrão resume a vida dele: mulheres, um fumo e um pouco de rum, e roubar as pessoas para viver. É assim que Juanito vive, e a música nunca o pega. Ele ainda está por aí.
Frases-chave
- “la calle es una selva de cemento”O verso de abertura da música: antes de conhecermos alguém, ela monta o cenário. Uma selva de concreto cheia de feras, onde a encrenca espera em toda parte.
- “Juanito Alimaña con mucha maña”Uma alimaña é uma praga: o bicho que invade o galinheiro à noite. Maña é um jeito, uma habilidade astuta. O nome e a rima dizem exatamente quem ele é antes de a história dizer.
- “nadie ha visto nada”O código de silêncio do quarteirão. Todos viram, ninguém vai dizer: têm medo dele, e ninguém quer ser quem falou.
- “un primo suyo está en la policía”Por que uma prisão nunca cola: ele está solto de novo no dia seguinte. A lei não é só lenta, é da família.
- “fumada y caña”Parte da imagem que o refrão faz do mundo dele. Fumada é um fumo e, na gíria de rua, de maconha. Caña, de cana-de-açúcar, é rum barato ou cachaça.
Contexto
Tite Curet Alonso foi um compositor porto-riquenho por trás de uma longa lista de clássicos da salsa, entre eles “Periódico de Ayer” para Héctor Lavoe, “Las Caras Lindas” para Ismael Rivera e “Anacaona” para Cheo Feliciano.
Vigilante foi gravado em 1982 como trilha de um filme de mesmo nome e saiu pela Fania em 1983. Reuniu Willie Colón e Héctor Lavoe, anos depois de Lavoe seguir carreira solo, em parte para ajudar Lavoe a atravessar um momento difícil da vida.
Como Pedro Navaja, é uma história de crime com um groove por baixo. Mas, enquanto Pedro leva o que merece, Juanito se safa de tudo, e esse é o ponto da música: o medo, o silêncio e uma polícia que cuida dos seus deixam um ladrão de esquina mandar no quarteirão.
Na pista de dança
Os trombones de Willie Colón e a voz de Lavoe de novo, em um groove constante e balançado que é favorito nas pistas de dança sociais.
Os versos contam o assalto como uma reportagem da esquina. Dance com calma e deixe a história chegar.
Depois o montuno: o coro responde a Lavoe, e ele dispara frases improvisadas rodada após rodada. É a subida em que entrar dançando.
Este é o nosso próprio reconto da música, não a letra nem uma tradução dela: as poucas frases curtas citadas estão aqui para explicar o que significam. A música pertence a quem a escreveu, Tite Curet Alonso.
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