Ríe y Llora
Celia Cruz · 2003 · escrita por Sergio George & Fernando Osorio, do álbum Regalo del Alma
A despedida de Celia Cruz, gravada depois de uma cirurgia por um tumor cerebral: ria, chore, agarre-se com força e aproveite tudo, porque a hora de cada um chega.
A história
1.Agora
O que é bom hoje pode não ser amanhã, diz ela. O que conta é o momento, o presente perfeito. Quando surge uma oportunidade, cabe a você subir nela.
2.Ria, chore
Então agarre-se com força e não solte. Ria e chore, porque a hora de cada um chega. Viva a sua vida e aproveite tudo dela.
3.Perdoar
Tudo é relativo. Não é que ela se lembre, é que ela não esquece, e isso é o perdão: lembrar sem dor.
4.Ainda aqui
No fim ela ri e se gaba sobre o coro: esta negrita nunca sai de moda.
Frases-chave
- “que a cada cual le llega su hora”Llegar la hora é quando chega a sua hora, a de morrer. Sabendo quando ela a cantou, o verso pesa, e ela o canta sorrindo.
- “vive tu vida y gózala toda”Gozar é aproveitar, divertir-se muito: o verbo favorito da salsa.
- “Agárrate fuerte y ya no te sueltes”O conselho dela quando surge uma oportunidade.
- “recordar sin dolor”A definição de perdão para ela: não é esquecer, é lembrar sem que doa.
- “esta negrita no pasa de moda”Negrita é uma palavra carinhosa para uma mulher negra, e Celia a usava para si com orgulho. É uma bravata, e se cumpriu.
Contexto
Escrita pelo produtor Sergio George com Fernando Osorio, foi o primeiro single de Regalo del Alma, “um presente da alma”, o último álbum de Celia Cruz.
Em dezembro de 2002, um tumor cerebral obrigou Celia a parar. Depois da cirurgia, voltou ao estúdio e gravou o álbum no início de 2003. Morreu em 16 de julho de 2003, aos 77 anos; o álbum saiu duas semanas depois e ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Salsa/Merengue.
O single passou onze semanas em primeiro lugar na parada Tropical da Billboard e virou sua despedida: uma mulher que sabia que seu tempo era curto, dizendo a todos para rir, chorar e viver.
Na pista de dança
Brilhante, moderna e alegre, com um “la-la-la” que a sala toda canta. Perto do início vem o seu famoso grito: “¡Azúcar!”, “açúcar!”.
O refrão vem cedo e não para de voltar. Na última parte, Celia improvisa sobre o coro com o gingado brincalhão que teve por cinquenta anos.
Este é o nosso próprio reconto da música, não a letra nem uma tradução dela: as poucas frases curtas citadas estão aqui para explicar o que significam. A música pertence a quem a escreveu, Sergio George & Fernando Osorio.
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